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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Modelo de redação e análise para Enem

Exemplo de redação

Vínculos que superam as diferenças

Um dos sentimentos móis admiráveis que um ser humano pode desenvolver por outro é a amizade. É através dela que muitas pessoas conseguem suportar grandes problemas em suas vidas e vencem grandes desafios. Apesar de muitos argumentarem sobre quão difícil é encontrar alguém digno de confiança, o preço a ser pago nessa procura rende frutos ainda maiores quando se encontra uma pessoa disposta a cultivar uma amizade verdadeira com outra.
A sabedoria popular prega que "nenhum ser humano é uma ilha", e essa máxima é confirmada pelo cantor e compositor Tom Jobim, quando diz que "é impossível ser feliz sozinho". Os seres humanos precisam conviver em sociedade e criar vínculos fortes uns com os outros, porque a verdadeira amizade é mais profunda do que as pessoas imaginam: não é um relacionamento superficial, mas antes é construída à base da confiança, ou seja, lentamente.
Há muitas pessoas que buscam amizades, mas nessa busca não se importam com sentimentos alheios. Essa forma de procura por amigos é prejudicial porque é egoísta. Para ter amizades verdadeiras, as pessoas devem antes moldar-se para serem amigas, respeitando as outras pessoas, interessando-se por elas, e dessa forma descobrirão afinidades que as façam mais próximas umas das outras.
Há também quem queira manter-se longe de outras pessoas e não cultivar amizades com medo de ser magoado por alguém. Nos relacionamentos as pessoas de fato discordam umas das outras, e isso pode acontecer em amizades verdadeiras também, mas se houver real interesse entre as partes envolvidas, as diferenças são superadas a fim de que haja a retomada da amizade e assim preserve-se também a qualidade nos relacionamentos.
Portanto, o preço a ser pago no desenvolvimento de relacionamentos entre as pessoas rende bons frutos, e cultivar amizades verdadeiras faz bem aos seres humanos. A criação de vínculos interpessoais ajudam o indivíduo a superar problemas e moldam-no para que se interesse por outras pessoas. A verdadeira amizade faz com que as pessoas superem as diferenças e busquem uma boa qualidade em seus relacionamentos.


(Fuvest 2007, Algumas das Melhores Redações. www.fuvest.br/vest2007/bestred/bestred.stm)

Análise da redação

SIMPLICIDADE E EFICIÊNCIA: o primeiro parágrafo não só apresenta o tema proposto como o problematiza a partir das solicitações do enunciado da prova. 0 candidato considera a grandeza e a dificuldade da amizade, anunciando, dessa forma, seu ponto de vista.



As citações presentes na redação evocam a sabedoria popular -"nenhum ser humano é uma ilha" - e o compositor Tom Jobim - "é impossível ser feliz sozinho" -, demonstrando, assim, alguma originalidade, já que tanto em um como em outro pensamento estão nítidos ainda os raciocínios dos excertos ofertados pela prova. Trabalhar com essas referências é, também, coerente com o nível de argumentação apresentado pelo candidato.

Um primeiro argumento já se lê na metade do segundo parágrafo, quando o autor afirma que uma amizade verdadeira só pode ser construída lentamente. Há aqui uma ideia de que a maioria das pessoas apenas mantém relacionamentos superficiais em razão da necessidade de viver em sociedade.

SUSTENTAÇÃO DOS ARGUMENTOS: o terceiro e o quarto parágrafos definem a abordagem e exploram psicologicamente o tema, ainda que de modo superficial. Subtemas como egoísmo e adaptação da personalidade sustentam os argumentos.

O desfecho da redação deixou claro o uso de uma fórmula de construção de textos dissertativos para o vestibular. Condenada por muitos, mas recomendada pela maioria dos cursinhos, citar, no último parágrafo, expressões do primeiro - "preço a ser pago", "render frutos" e "cultivar amizade" - parece conferir coesão à estrutura geral do texto e contentar os examinadores.

Proposta de redação dissertativa sobre amizade

Esta é uma proposta de redação da Fuvest 2007 e que você poderá fazer para treinar como anda sua capacidade argumentativa.

PROPOSTA DE REDAÇÃO

Em primeiro lugar (...), pode-se real mente "viver a vida" sem conhecer a felicidade de encontrar num amigo os mesmos sentimentos? Que haverá de mais doce que poder falar a alguém como falarias a ti mesmo? De que nos valeria a felicidade se não tivéssemos quem com ela se alegrasse tanto quanto nós próprios? Bem difícil te seria suportar adversidades sem um companheiro que as sofresse mais ainda. (...)
Os que suprimem a amizade da vida parecem-me privar o mundo do sol: os deuses imortais nada nos deram de melhor, nem de mais agradável.


Cícero, Da Amizade.

Aprecio no mais alto grau a resposta daquele jovem soldado, a quem Ciro perguntava quanto queria pelo cavalo com o qual acabara de ganhar uma corrida, e se o trocaria por um reino: "Seguramente não, senhor, e no entanto eu o daria de
bom grado se com isso obtivesse a amizade de um homem que eu considerasse digno de ser meu amigo". E estava certo ao dizer se, pois se encontramos facilmente homens aptos a travar conosco relações superficiais, o mesmo não acontece quando procuramos uma intimidade sem reservas. Nesse caso, é preciso que tudo seja límpido e ofereça completa segurança.


Montaigne, Da Amizade (adaptado).

Amigo é coisa pra se guardar,
Debaixo de sete chaves,
Dentro do coração...
Assim falava a canção
Que na América ouvi...
Mas quem cantava chorou,
Ao ver seu amigo partir...
Mas quem ficou,
No pensamento voou,
Com seu canto que o outro lembrou.
(...)

Fernando Brant/ Milton Nascimento, Canção da América.



E sei que a poesia está para a prosa Assim como o amor está para a amizade. E quem há de negar que esta lhe é superior? (...)

Caetano Veloso, Língua.

Considere os textos e a instrução abaixo:

INSTRUÇÃO: a amizade tem sido objeto de reflexões e elogios de pensadores e artistas de todas as épocas. Os trechos sobre esse tema, aqui reproduzidos, pertencem a um pensador da Antiguidade Clássica (Cícero), a um pensador do século XVI (Montaigne) e a compositores da música popular brasileira contemporânea. Você considera adequadas as ideias neles expressas? Elas são atuais, isto é, você julga que elas têm validade no mundo de hoje? O que sua própria experiência lhe diz sobre esse assunto? Tendo em conta tais questões, além de outras que você julgue pertinentes, redija uma DISSERTAÇÃO EM PROSA, argumentando de modo a expor seu ponto de vista sobre o assunto.

2 exercícios de intertextualidade na redação da Unicamp


Ao entrar em um salão na Rua Libero Badaró, em São Paulo, num sábado chuvoso de dezembro de 1917, o jovem poeta não sabia quanto sua vida iria mudar. Aos 24 anos, carpindo o luto pela morte do pai, ocorrida no Carnaval daquele ano, ele era um artista - e um homem - ainda em busca de um estilo. Mulato, disfarçava a cor da pele usando pó de arroz. Indefinido quanto à própria sexualidade, exaltava musas imaginárias numa poesia que seguia, palidamente, a métrica rigorosa do parnasianismo. Inseguro quanto à qualidade dos próprios versos, assinava-os com o pseudónimo de Mário Sobral. Tudo mudaria, no entanto, naquela tarde de dezembro. Ao deparar com quadros vibrantes, de imagens disformes, com cores que não correspondiam à realidade, explodiu numa gargalhada. Que, descobriria mais tarde, não era de escárnio, mas de fascínio. O jovem poeta voltou oito vezes à mostra. Gradativamente, sua poesia passou a ser criativa e estranha como aquelas telas. Começou a assinar seus versos com o nome verdadeiro: Mário de Andrade. E sua misteriosa vida amorosa passou a incluir um caso tão intenso quanto platónico com a protagonista da exposição que mudou sua vida: a pintora Anita Malfatti.
Neste momento entra em cena o terceiro personagem desta história, o escritor José Bento Monteiro Lobato. Recém-chegado à cidade de São Paulo, tentava se estabelecer como escritor e jornalista. Nacionalista convicto, Monteiro Lobato criticava em seus artigos o que chamava de "macaqueação" de estilos estrangeiros. A primeira peça sua a causar grande repercussão foi* justamente a crítica à mostra da pintora, intitulada A Propósito da Exposição Malfatti, que
saiu na edição vespertina de 20 de dezembro de 1917 do jornal O Estado de S. Paulo. O artigo era um manifesto agressivo contra a arte moderna. A repercussão foi tamanha que quadros comprados chegaram a ser devolvidos após a circulação do texto.
A crítica provocou um efeito terrível em Anita. A pintora se retirou da cena artística por dois anos. Há críticos que afirmam que a obra da pintora passou a apresentar traços mais conservadores depois do artigo de Lobato. Esse, depois desse episódio, se tornou cada vez mais Monteiro Lobato - assertivo, polemico, santo padroeiro da literatura infantil brasileira. Já Mário empenhou-se em uma cruzada para devolver Anita ao caminho da modernidade.
A intensa relação entre crítico e artista se estendeu para o plano afetivo: a pintora apaixonou-se por Mário de Andrade. Os dois trocaram uma copiosa correspondência ao longo da vida. Em uma delas, Anita se declarou apaixonada. A fatídica carta, a pedido da própria Anita, foi rasgada. Mas a mensagem seguinte, na qual ela pede a destruição da correspondência anterior, ficou guardada com o escritor. "Cometi um crime de lesa-amizade. Escrevi uma carta sentimental a um amigo. Perdoe-me", ela pede.
Mário passou a vida tentando recolocar a amiga que o amava no "bom caminho" artístico. Empenhado no desenvolvimento de uma arte modernista brasileira, o escritor tomou para si a tarefa de incentivar os colegas artistas a "abrasileirar o Brasil". Foi a exposição de Anita em 1917 que aglutinou os modernistas e preparou o terreno para que Mário cie Andrade idealizasse a Semana de Arte Moderna de 1922.


(BRAVO!, janeiro de 2010, adaptado)



Aponte no texto um exemplo de citação direta e de paráfrase.

Identifique um exemplo de intertextualidade.